Peço desculpa pela ausência, regressamos a casa na segunda ao final da tarde. Finalmente deixamos para trás aquele quarto de hospital. Não me posso queixar do atendimento, excelentes médicos, sempre dispostos a esclarecimentos, excelentes enfermeiras que mimaram muito a Laurinha e descansaram muito este coraçãozinho que teimava sempre em bater depressa demais.
O olho continua sem observação médica, a médica oftalmologista não achou necessária a nossa permanência no hospital, apenas para verificar a evolução do olho, uma vez que continuava muito inchado. Assim viemos para casa, e quando o olho estiver totalmente visível, teremos de verificar se há algo que não seja normal. Como a lesão apenas foi no osso, a médica não acha que tenha afectado a visão, e pelo pouco que já dá para ver não nos parece haver nada, não houve derrame, basta esperar para verificar a reacção dos músculos.
Esperar... É a palavra de ordem dos últimos dias, mas é mesmo assim teremos de esperar para saber mais alguma coisa! A evolução até agora tem sido muito positiva, a nível neurológico nada parece afectado, e o mais provável é que a única coisa que reste desta terrível experiência serão algumas fraturas, extensas é certo, mas que se cicatrizarem bem, não representarão qualquer problema. Caso não haja boa cicatrização será necessária intervenção cirúrgica, o que o neurologista disse ser casos raros. Resta-nos então esperar pela consulta a 29/02.
Tenho agradecido muito a Deus, pois continuo a achar um milagre a minha filha continuar aqui comigo e tão bem como está, a queda foi quase de 3 metros e não foi a rebolar pelas escadas, foi pela lateral.
A nível psicológico nem tudo está bem comigo, desde aquele dia, 16/05/2010, em que soube do problema da Laura, que a nossa vida não tem sido fácil. Tem sido um percurso bastante difícil, mais para ela é certo, mas sinto-me fraquejar, sinto-me sem forças, não acho justo tudo o que nos tem acontecido. Por muito que tente esquecer este episódio, não consigo, ao adormecer dou voltas e voltas pois a única imagem que me vem à cabeça é a Laura deitada no chão, com um choro desesperante, quando estou em casa não me sinto bem, olho vezes sem conta para esta maldita escada, por muito que racionalmente tente convencer-me que aconteceu, não consigo deixar de pensar nos "ses", é inevitável. Ainda é muito recente e sei que vou conseguir superar, mais não seja por me lembrar de todas as mães com que falei durante o internamento, com casos bem mais complicados, estávamos junto à ala de oncologia, e ali sim encontrei mães coragem, sempre com uma palavra amiga apesar das situações que vivem, e é aí que vou buscar alguma força. Não posso esquecer também algo que me ajudou e me tem ajudado bastante, o apoio da nossa familia, dos nossos amigos e destas minhas amigas da blogosfera, que poderá ter muita coisa má (blogosfera), mas também tem muita coisa boa. Agradeço do fundo do coração, toda a preocupação, apoio e carinho.
Se algum dia pus em questão terminar este blog, agora não faz sentido, pois permitiu-me conhecer pessoas magnificas. Obrigada.
A Laura é uma guerreira, uma força da natureza é o meu milagre. Amo-a com todas as minhas forças, é a minha razão de viver, e tenho tanto, mas tanto orgulho em tê-la como filha.